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    March 15

    Estreito - Adélia Prado

    Agosto, agosto,
    os torrões estão leves,
    ao menor toque se desmancham em pó.
    Estrela de agosto,
    baça.
    Céu que se adensa,
    vento,
    Papéis no redemoinho levantados,
    esta sede excessiva
     e ciscos.
     Um homem cava um fosso no quintal,
    uma idéia má estremece as paredes.

    Vinicius, mas como chama esse poema?É maravilhoso.


    De tudo, ao meu amor serei atento
    Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
    Que mesmo em face do maior encanto
    Dele se encante mais meu pensamento.

    Quero vivê-lo em cada vão momento
    E em seu louvor hei de espalhar meu canto
    E rir meu riso e derramar meu pranto
    Ao seu pesar ou seu contentamento.

    E assim, quando mais tarde me preocupe
    Quem sabe a morte, angústia de quem vive
    Quem sabe a solidão, fim de quem ama

    Eu possa me dizer do amor (que tive)
    Que não seja imortal, posto que é chama
    Mas que seja infinito enquanto dure.

    (Vinícius de Moraes)

    PORQUE AS MULHERES DEMORAM

    AUTOR: HAMILTON DE ANDRADE LEMOS.- Divertidíssimo
     
    "Sente-se, afrouxe a gravata e não se iluda.: ela vai demorar, mesmo que tenha ido a loja "só para trocar uma blusinha". Entenda que a paciência, a ciência da paz, é umavirtude masculina e uma simples troca exige delas alguns minutos da atenção. Algo em torno de duzentos.
      Talvez por isso eu não encontre o menor romantismo em homens que dizem às suas mulheres que esperaram a vida inteira por elas. Faço isso todos os dias, especialmente quando estamos num shopping. Vejo mérito,  sim,  naqueles que o fazem sem reclamar, quando esperam a mulher tomar banho de cinco horas, passar toda a variedade infindável de creme (sete para cada parte do corpo) e escolher qual roupa usar.
       Nesta última providência, há um capítulo à parte. Um homem comum ou normal, seja lá o que isso signifique, vai até a sua gaveta (geralmente uma só basta para toda a sua roupa) e escolhe o que vai vestir na infinitésima parte do segundo. Uma mulher não. Ela vai até um de seus trinta e sete guarda-roupas, abre todos, coloca abaixo todo o arsenal de calças, blusas, saias, vestidos e acessórios para então iniciar um exercício de combinação de cores, modelos e estilos que dariam para dez anos de desfiles initerruptos. Mas ainda não é o pior. Sendo você o único da espécie presente, sua missão será encontrar adjetivos diferentes para cada uma deas opções apresentadas por ela. Esta saia com esta blusa ficou bom, amor?
       A verde não seria melhor? E se eu colocar a verde com a calça roxa e aquele sapato baixo? É uma tarefa heróica, visto que você tentará elogiar a todos, tentando abreviar a tortura. E, justamente aquele modelito que você reprova, menos por gosto e mais para dar um clima de credibilidade nas outras respostas, será o que ela mais gostou. Então ela começará a chorar e fatalmente vai dizer que não tem o que vestir, rodeada por duas toneladas de roupas. E, se na remota e hipotética possibilidade dela estar satisfeita, dirá
    que não tem uma bolsa que combine. Saia dessa, meu chapa!
       Mas se as cenas descritas acima tem alguma identificação, mesmo que em parte, com sua mulher, elas não explicam os reais motivos por que isso acontece.Elas são apenas o efeito. Vamos às causas.
       Responda rápido: vacê saberia dizer qual a diferença entre o bege claro, o marfim, o baunilha, e o palha? Elas sabem e distinguem qualquer uma destas cores a quilômetros de distância, mesmo no escuro e com o ray-ban da moda.
       Outro teste: com qual roupa ela foi ao primeiro encontro de voces dois? E ao segundo? Eao trígesimo segundo? Elas sabem tudo isso, com requintes de crueldade.
       Mas a razão definitiva por que as mulheres nos enlouquecem com as esperas seculares é a seguinte: elas gostam que seja assim. E não tentem modifica-las, porque então não seriam mais mulheres e o mundo deixaria de existir. Pelo menos para mim. Também para os shopping centers, para as lojas de calçados, para a fábrica de maquiagem etc etc etc.  
       Na verdade, se bem observado, toda a economia mundial gira em torno da atividade feminina, da indústria  têxtil à extração de bauxita, do silicone cirúrgico ao ferro gusa. Tudo isso está, de maneira direta ou indireta, ligado ao consumo delas. E sejamos justos: se dependesse de nosso interesse consumista, todas as empresas relacionadas estariam quebradas. Por isso levante as mãos para o céu pelas mulheres que Deus nos mandou e agradeça ao fato delas adorarem estar sempre bonitas e gostosas. Por mais tempo que isso demore."
    March 13

    Ganhei de amigo de e-mail -de gênio


    Tremenda orgia léxico-vernacular! Vôte!
     
    Na Redação:
    >"Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se
    >encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto
    >plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o
    >artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com
    >um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco
    >átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de
    >linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo
    >gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e
    >ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar,
    a conversar.
    >O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse
    >pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro:
    >ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns
    sinônimos.
    >Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador
    >recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára
    >justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão
    >verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram
    >alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e
    gostosa.
    >Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
    >Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra
    >vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto
    >adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos
    >diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a se
    >aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo
    >crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período
    simples passaria entre os dois.
    >Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula ele
    >não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É
    >claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente
    >oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela
    >totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias e
    >parônimos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns
    >minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia
    >tomando conta. Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do
    >singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono,
    >sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda
    singular. Nisso a porta abriu repentinamente.
    >Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou
    >dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram
    >gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
    >Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor,
    >subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu
    >particípio na história.
    >Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por
    >todo o edifício.
    >O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou o seu adjunto adnominal. Que
    >loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um
    >superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa
    >maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos.
    >Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo
    >ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as
    >condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria
    >ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no
    >artigo feminino. O substantivo, vendo que poderia se transformar num
    >artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu
    >colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu
    >conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais
    >fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção
    >coordenativa conclusiva" .
    March 11

    Já dizia Rita Lee...


    Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade,
    até porque elas são desarmadas pela própria natureza:
    Nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas.
    Ninguém lhes dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência.
    As mulheres detestam sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto.
    Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência.
    É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz.
    E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher.
    Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa.
    Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos.
    Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas.
    São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e a doçura deseus corações.
    Nem toda feiticeira é corcunda.
    Nem toda brasileira é só bunda.

    Rita Lee
    March 05

    PORQUE NOS DECEPCIONAMOS COM O AMADO


     
    Por Que Nos Decepcionamos Com o Amado  
     
    Por que nos encantamos sentimentalmente com uma pessoa? Ainda não podemos responder integralmente a esta pergunta fundamental. Fomos capazes de avançar muito a esse respeito nos últimos anos, de modo que algumas conclusões parciais podem ser muito úteis para que cometamos menos erros.

    Nós nos envolvemos com outra pessoa porque nos sentimos incompletos em nós mesmos. Se nos sentíssemos inteiros e não “metades”, certamente não amaríamos. Sim, porque o amor corresponde ao sentimento que desenvolvemos em relação àquele que nos provoca a sensação do aconchego e completude que não conseguimos sentir quando estamos sozinhos. A escolha do parceiro, daquele que irá nos fazer sentir menos desamparado, é repleta de variáveis intrigantes que vão desde o desejo de também nos sentirmos protegidos até aquelas em que precisamos nos sentir úteis e até mesmo explorados.

    Neste momento, estou querendo me ater um pouco ao processo do enamoramento, no encantamento inicial que faz com que uma pessoa “neutra” se transforme em indispensável, sem a qual não podemos imaginar seguir vivendo. O processo, que não raramente se dá em poucos instantes, depende de elementos nem sempre detectáveis. É claro que a aparência física das pessoas envolvidas desempenha um papel muito importante no fenônemo do enamoramento. Esse aspecto inicial do encontro amoroso não deve ser confundido com o amor propriamente dito. O amor é paz e aconchego ao lado de uma pessoa, ao passo que o enamoramento corresponde ao processo pelo qual esta pessoa é escolhida – e que, como regra, corresponde a um período nada sereno; o amor é uma emoção ansiada mas que nos chega acompanhado de muitos medos.

    No que diz respeito à aparência física, é claro que o elemento erótico se destaca, especialmente nos homens que têm um desejo visual marcante. Acontece que, por caminhos diversos, muitos são aqueles que guardaram em suas memórias registros de figuras que muito os impressionaram e que se transformaram em modelos ideais com os quais cada nova pessoa conhecida é confrontada. Por vezes é algo geral, incluindo a forma do corpo; outras vezes é a cor dos olhos, dos cabelos, o tipo de seio, os quadris. Algo que pode lembrar desde suas mães até alguma estrela de cinema que muito lhes tenha impressionado. A verdade é que, por outras vias, as moças também guardam dentro de si indicadores do que elas acham que seja o homem ideal para elas: podem ser esbeltos ou musculosos, intelectualizados ou executivos, voltados para as artes ou poderosos, e assim por diante. Todos esses ingredientes incluem elementos eróticos, mas todos eles se transformam, em nossa imaginação, em símbolos dos nossos parceiros ideais. De repente, julgamos ter encontrado um número importante de tais símbolos naquela pessoa que nos passou pela vida. E nos enamoramos.

    Assim sendo, o fenômeno do enamoramento se fundamenta em aspectos relacionados com a aparência do outro. É claro que ela costuma ter relação com o que a pessoa é por dentro. Mas a correlação não é absoluta e nem assim completa. Conversamos com a pessoa que nos atraiu e, em virtude da atração inicial que sentimos e do nosso desejo enorme de amar, tendemos a ver no seu interior as afinidades e peculiaridades que sempre quisemos que existissem naquele que nos arrebataria o coração. Por exemplo: um rapaz mais franzino, mais intelectualizado e voltado para as artes é visto, mais ou menos rapidamente, como emotivo, romântico, delicado e respeitoso, pouco agressivo, que respeita os direitos da mulher e não é exageradamente ciumento. Uma moça se encanta com ele e espera que ele seja portador de todas essas peculiaridades. Essa expectativa se transforma, mais ou menos rapidamente, em certeza de que elas existem. A moça projeta seus sonhos de perfeição naquele rapaz que tanto a encantou e passa a ter certeza de que as propriedades desejadas estão lá. O fenômeno é o da idealização, pelo qual acreditamos que o outro contenha todas as peculiaridades que dele esperamos.

    Sonhamos com o príncipe encantado – ou com uma princesa ideal – e, ao nos enamorarmos, projetamos todos os nossos desejos sobre aquela pessoa. Passamos a conviver com ela e a esperar dela as reações próprias do ser que idealizamos. O que acontece? É a pessoa real a que irá agir, reagir e se comportar de acordo com suas efetivas peculiaridades. Não poderemos deixar de nos decepcionar, não obrigatoriamente por causa das peculiaridades efetivas do amado, mas porque despejamos sobre ele todos os nossos sonhos e exigências de perfeição. O erro nem sempre está na pessoa e sim no fato de termos sonhado com ela mais do que prestado atenção nela, no que ela efetivamente é. Eis aí um bom exemplo dos perigos derivados da sofisticação da nossa mente, capaz de imaginar de uma forma livre e tão grandiosa que a realidade jamais irá alcançar.


    Flávio Gikovate
     
     

    8 de Março- Dia Internacional das Mulheres, ainda ?

    tomei um susto dando.
     
    Desde menina, depois adolescente, ainda quando uma mulher jovem.
    Durante todo esse tempo tenho ouvido falar sobre esse dia 8 de março.  
    E hoje quando abro os jornais vejo    manchetes falando  sobre o assunto.
    Fico pensando se isso não vai acabar virando,Natal.
    O que vamos discutir mais?
    Aquelas mulheres africanas: ainda é extirpado o clitóris delas?
    Tou me lembrando aqui de uma coisa muito antiga,  do tempo da ditadura.
    Alguém devolveu  a alguma Mãe da Praça de Maio o corpo de  algum filho delas?
    Não?
    Mas me diga uma coisa: é verdade que a Aids tem aumentado nas mulheres casadas?
    São monogâmicas? tem certeza? mas como isso acontece....
    E me diga uma coisa: a quantas anda os maus tratos praticados às mulheres, dentro de suas casa?
    Tem alguma atitude nova nesse universo?
    Mas eu lí.
    Juro .
     
    Palestra no Dia Internacional das Mulheres.
     
    Em shopping:  horário da palestra: 15 horas
    detalhe 1: sorteio de um presente surpresa.
    detalhe 2: no dia 8 quem for, ganhará uma rosa.( a mulherada- juro que está escrito assim-mulherada)
    Tema das palestras:
    - Identidade Feminina
    - Direito da mulher
    - O desafio, cuidar de si mesma.
    Ah! no  dia 8, tem restaurante dando desconto de 50% em um  fondue.( mes de março...)
    Também teremos palestra sobre incontinência urinária. Voltada para atletas, que tem 80% a mais de chance de ter essa doença ( rsrsrs).
    Teremos também dicas de moda, maquiagem, tratamento capilar,  modelos de óculos adequados ao formato de rosto e até auto massagem.
    E rosas é claro.
    Discussões , saraus, filmes, tudo sobre a produção das mulheres nas  artes.
    Tem uma  coisa linda: todas as mulheres que forem almoçar ou jantar em um determinado restaurante alemão ganhará: veja só o mimo: ganhará o apfeistrudel na sobremesa.
    Tudo isso com um fundo musical  com sax.  ( leve e  descontraído).
    E dá-lhe rosas.
    Finalmente,  alguém lembrou de fazer uma distribuição  de folhetos sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e sobre as transformações físicas e emocionais vividas pela mulher, a partir da puberdade. Isso,  em algum hospital, para as pacientes.
    Sem rosas.
    Alguém já falou porque dia 8 de Março foi escolhido para ser o Dia Internacional das Mulheres?
    Fiquem atentos, quem sabe...
    Tá bem próximo do Natal, fala a verdade!
     
     
     
    March 03

    Diálogos- fédon ou da alma

    Peguei aleatoriamente esse pedacinho prá compartilhar aqui
    ...Não terias vergonha de dizer que, somando-se  a unidade à unidade ou dividindo a unidade em duas partes, no primeiro caso é a adição a que faz que um e um perfaçam dois e que, no segundo caso,  é a divisão que faz com que um se converta em dois?
     E não afirmarias com maior certeza  que desconheces outras causas da existência das coisas que sua  participação da essência própria a cada
    uma delas e, portanto, que não sabes a razão de que um e um sejam dois a não ser a participação na idéia do dois e que deve participar dela e que vem a tonar-se dois, e que deve participar da idéia de unidade?
    E por conseguinte, não haveria de desprezar tais separaçõe e somas, e artifícios da mesma natureza, deixando a discussão de tais coisas a homens mais sábios que tu? Mas devido ao medo que tens, como se diz, de tua própria sombra, o receio de tua ignorancia, não te agarrarias firmimente ao princípio que acabamos de  expor? e se alguém investisse contra ele, por acaso não o deixarias em paz e sem resposta até que tivesses analisado  bem todas  as consequências deste princípio, para ver se estavam de acordo ou não entre si?  E quando fosses obrigado a explica-lo, não o farias optando por outro princípio mais elevado, até conseguires um resultado satisfatório? ao mesmo tempo evitarias resolver todas as coisas, como o fazem os questinonadores, e confudir teus princípios com aqueles de que se originam todas as coisas para falar a verdade? Nada daquilo, na verdade, figura  entre as pesquisas e preocupações da tais homens,e, apesar de seus profundos mal-entendimentos, sentem-se recompensados pela sua sabedoria. Porém tu, és um verdadeiro filósofo, tenho certeza de que farás o que digo!...